Noturno

Magritte - Le belle de nuit

Noturno

Não se pode ouvir
o que a noite canta na palavra.

Nela sua voz soa silêncios.

É que a noite só canta
o avesso das coisas.

E a canção da noite é o nada.


Imagem: La belle de nuit, René Magritte, óleo sobre tela, 1932.
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Ernest Hemingway – La mar

Leonard Baskin

Ele sempre pensou o mar como la mar, que é como a chamam em espanhol quando a amam. Às vezes, os que a amam falam mal dela, mas sempre falam como se fosse de uma mulher. Alguns dos pescadores mais jovens, que usam boias como flutuadores para suas linhas e têm barcos a motor, comprados quando os fígados de tubarões valiam muito dinheiro, falam dela como el mar, que é masculino. Falam como se fosse um adversário, um lugar ou um inimigo. Mas o velho sempre pensou nela como feminina e como algo que concedia ou negava grandes favores – e mesmo se praticava coisas selvagens ou perversas, era porque não podia evitá-las. A lua afeta-a como faz com as mulheres, pensou.

De O velho e o mar

Trad. Marcelo Bueno

He always thought of the sea as la mar which is what people call her in Spanish when they love her. Sometimes those who love her say bad things of her but they are always said as though she were a woman. Some of the younger fishermen, those who used buoys as floats for their lines and had motorboats, bought when the shark livers had brought much money, spoke of her as el mar which is masculine. They spoke of her as a contestant or a place or even an enemy. But the old man always thought of her as feminine and as something that gave or withheld great favours, and if she did wild or wicked things it was because she could not help them. The moon affects her as it does a woman, he thought.

From The old man and the sea

HEMINGWAY, Ernest. The old man and the sea. Harmondsworth: Peguin Books, 1966. pp. 23-24.


Imagem: Ilustração para The old man and the sea, Leonard Baskin, caneta e grafite sobre papel, c. 1958, Whitney Museum of American Art, Nova Iorque.
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Cia. de Leitores – O velho e o mar, de Ernest Hemingway

O velho e o mar

Só se pesca uma boa história quando se é fisgado por ela. Em seu encontro de julho, a Cia. de Leitores discutirá o romance ‘O velho e o mar’ (1952), de Ernest Hemingway, último romance do escritor estadunidense e também o mais famoso, considerado o arremate de seu estilo vigoroso e conciso, o qual exerceu influência marcante na literatura do século XX.
Quem somos: a Cia. de Leitores é um projeto que busca incentivar a leitura e a discussão de clássicos da literatura na cidade de Bandeirantes-MS. Os encontros são mensais e leitores de outras localidades são bem-vindos, podendo contar com carona.
Participe de nosso grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/121848358370564/

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Cine Casa – Um conto chinês

Um conto chinês

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Antoine Tudal – Obstáculos

Muro

Obstáculos

Entre o homem e a mulher
Há o amor.
Entre o homem e o amor
Há um mundo.
Entre o homem e o mundo
Há um muro.

Os fortes derrubam o muro,
Os hábeis o escalam,
Os pacientes o arranham
Para outros, um muro é um muro
Ladeiam-no sem pensar mal…
Nem bem…

O bem e o mal
Existem entretanto para eles
É um muro como o outro
Que lhes dá sua sombra.

Para os amurados tudo é muro
Mesmo uma porta aberta.

Trad. Marcelo Bueno

Obstacles

Entre l’homme et la femme
Il y a l’amour.
Entre l’homme et l’amour
Il y a un monde.
Entre l’homme et le monde
Il y a un mur.

Les forts enfoncent le mur,
Les adroits l’escaladent,
Les patients le grattent.
Pour d’autres, un mur est un mur
Ils le longent sans penser à mal…
ni à bien…

Le bien et le mal
Existent cependant pour eux,
C’est un mur comme l’autre
Qui leur donne son ombre.

Aux emmurés, tout est mur
Même une porte ouverte.

Do almanaque Paris en l’an 2000 (1945)

Antoine Tudal (1931-2010): pseudônimo de Antek Teslar, cenógrafo e escritor francês. Ainda na adolescência publicou sua única coletânea individual de poemas, SouSpente (1945), ilustrada por Georges Braque. A composição de “Obstáculos” data desse período, e foi graças ao psicanalista Jacques Lacan que os versos de sua primeira estrofe alcançaram relativa notoriedade, visto que os citou algumas vezes em seu ensino.

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Festival Varilux de Cinema Francês 2017 – Roda de Conversa

Neste sábado (17/06) participarei de uma roda de conversa que integra a programação da segunda edição do Festival Varilux de Cinema Francês aqui em Campo Grande. O evento acontecerá na Leparole Livraria e a entrada é franca.

Festival Varilux

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Albert Camus: ciclo do absurdo

“O absurdo é a razão lúcida que constata os seus limites.”
(Albert Camus)

Divulgação do meu curso sobre Camus:

curso-camus-ciclo-do-absurdo-flyer

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